Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum

Log in
updated 8:46 PM UTC, Oct 25, 2021

Santuário da Sagrada Face - Manoppello

Os 400 anos do Santuário de Manoppello e a misteriosa história da Sagrada Face

No contexto das celebrações da festividade da Transfiguração do Senhor (6 de agosto de 2021), a comunidade dos Frades Capuchinhos de Manoppello (Itália) quis recordar, com um ano de atraso, devido à pandemia, os quatro séculos do início da construção do convento, iniciada em 1620, que desde as origens foi vinculado inseparavelmente à Sagrada Face. Grandes painéis no exterior da Basílica, colocados para a ocasião, recordam as origens do convento aos peregrinos que voltam a visitar o Santuário.

O congresso, aberto pelo Ministro Provincial Fr. Matteo Siro, assistiu a exposição de Fr. Luigi Del Vecchio, que traçou a presença dos Capuchinhos em Manoppello, a construção do pequeno e modesto convento, quase escondido aos pés do maciço de Majella, sujeito a várias reestruturações e ampliações no decurso do tempo, em particular, no século XX. Recordou o amargo afastamento dos frades, após a supressão das ordens religiosas operada durante a ocupação francesa e depois da unificação italiana. Neste último caso, a Sagrada Face permaneceu fechada na igreja, com toda a comunidade manoppellense que permaneceu vigilante sobre o convento até ser possível o retorno dos Capuchinhos.

Na exposição seguinte, Fr. Francesco Neri, Conselheiro Geral da Ordem, deteve-se sobre a teologia da Sagrada Face, sublinhando como a face expressa primeiramente a identidade de uma pessoa. A Sagrada Face de Manoppello “nos ensina a adorá-lo e honrá-lo”, detendo-se em descrever as orelhas, os olhos “que chamam” e “que perdoam” e, enfim, a boca, “que abre ao sorriso”. Em seguida, o convite apaixonado “a se admirar, a maravilhar-se com a Sagrada Face”.

Em sua articulada exposição, o escritor alemão Paul Badde, autor de ensaios sobre a Sagrada Face publicados em vários países do mundo, iniciou suas reflexões mostrando como na história da Sagrada Face, em Manoppello a sagrada imagem não foi tornada pública, exceto em raras circunstâncias e para as procissões. Somente a partir de 1923, no decurso dos inúmeros trabalhos de adaptação da Basílica, o então superior Fr. Roberto de Manoppello encomendou o atual ostensório acima do altar. Vários foram os assuntos tratados, a começar pela identificação, da parte de Fr. Domenico de Cese (1905-1978), da Sagrada Face no sudário mencionado no Evangelho de João, portanto, na Verônica (vera-ikon), como defendido anos depois por Fr. Heinrich Pfeiffer, outrora docente de história de arte cristã na Pontifícia Universidade Gregoriana. Justamente os seus estudos sobre a identificação da Sagrada Face na Verônica vieram à tona nos meios de comunicação internacionais às vésperas do Grande Jubileu de 2000. A memorável visita de Bento XVI a Manoppello, em 1º de setembro de 2006, que Badde considerou um dos gestos mais significativos de seu pontificado, reforçou ulteriormente o conhecimento e a devoção à Sagrada Face no mundo. Apenas três semanas depois, o Papa elevava a igreja a Basílica menor e, exatamente um anos depois da sua visita, deixou aos Frades Capuchinhos a sua oração pessoal.

***

A Sagrada Face de Manoppello constitui uma imagem inexplicável, um véu finíssimo, que seria de bisso marinho, visível de ambos os lados, que mede 24 x 17,5cm, e posto acima do altar da homônima Basílica. Para muitos estudiosos, trata-se da Face da Ressurreição. A imagem mostra a face sofredora de um homem, que, tradicionalmente, considera-se a Face de Cristo. Entrando na igreja, a imagem do véu, atravessado pela luz, aparece completamente transparente, quase invisível. Aproximando-se do altar, percebe-se progressivamente o semblante de um rosto, pondo-se à esquerda ou à direita do altar. A mesma imagem – no outro lado do relicário – pode ser observada de perto, subindo-se as escadas atrás do altar. Tocam-nos sobretudo os seus olhos, o seu olhar vivo, intenso e profundo, que dificilmente se esquece.

O véu é guardado entre dois vidros por uma antiga moldura em madeira, realizada pelo capuchinho Fr. Remigio de Rapino em 1618, de passagem pela localidade, no mesmo ano em que a sagrada imagem foi adquirida pelo Dr. De Fabritiis, que a guardava devotamente em sua casa de Manoppello, até doá-la aos Capuchinhos, para que fosse venerada por todos. A Sagrada Face teria estado presente em Manoppello desde o século anterior, como emerge da Relatione Historica de Fr. Donato de Bomba, encarregado pelo Provincial da época de redigir um documento sobre a misteriosa imagem no ato da doação. O sábio frade estava bem consciente da natureza aqueiropoieta do véu, atestando em 1640 e depois publicamente em 1946, que não se trataria de uma pintura.

Este congresso quis favorecer o mais amplo conhecimento do precioso véu, também no âmbito das comunidades dos Capuchinhos existentes no mundo.

Fr. Antonio Gentili, Reitor da Basílica da Sagrada Face de Manoppello

 

Para consultar:

  • Página do Santuário em várias línguas: italiano, polonês, inglês, alemão e espanhol
  • Revista do Santuário, de recente publicação, para comemorar o aniversário de 400 anos – Il Volto Santo

Baixar em PDF

 

Última modificação em Terça, 14 Setembro 2021 21:54