Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum

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updated 2:07 PM CET, Oct 31, 2020

Concluído em Roma o 85º Capítulo Geral da Ordem

Os Capuchinhos elegeram seu novo governo

por Tarcisio Mascia

Roma. Os Frades Menores Capuchinhos já têm, há alguns dias, um novo governo, que permanecerá no cargo por seis anos. Elegeram-no durante seu 85º Capítulo Geral, que se realizou em Roma, no Colégio Internacional “São Lourenço de Bríndisi”, de 27 de agosto a 15 de setembro deste ano.

Fr. Roberto Genuin, 57 anos, vêneto, doutor “in utroque iure”, várias vezes Ministro Provincial, é o 73º Ministro Geral da Ordem Capuchinha, o terceiro do milênio (após John Corriveau e Mauro Jöhri), e é vêneto como Fr. Flavio Roberto Carraro, que foi Geral de 1982 a 1994. Assisti-lo-á no governo o Conselho Geral, formado por 10 frades em representação a toda a Ordem e pertencentes a diversas áreas geográficas: Fr. José Angel Torres Rivera, da Custódia de Porto Rico, um dos dez Conselheiros, foi eleito como Vigário Geral; os outros são: Carlos Silva (Brasil), Celestino Arias (EUA), Francesco Neri (Itália), John Baptist Palliparambil (Kerala – Índia), Kilian Ngitir (Camarões), Norbert Auberlin Solondrazana (Madagascar), Pio Murat (França), Piotr Stasinski (Polônia) e Victorius Dwiardy (Indonésia).

Do Capítulo, participaram 188 frades provenientes de 106 países do mundo e aos quais somaram-se como oficiais e ajudantes cerca de cinquenta confrades. Os Capitulares provinham distintamente: da Europa (69), da Ásia (43), da África (27), da América do Sul (33), da América do Norte (13) e da Oceania (3). Ainda nos números, os delegados das Conferências eram 13; os intérpretes e tradutores, 18 (8 línguas usadas no capítulo: italiano, inglês, espanhol, francês, português, polonês, alemão e indonésio); 3 encarregados da secretaria, 3 atuários, 4 encarregados da liturgia, 3 do Departamento da Comunicação e outros 3 encarregados da tecnologia.

Os trabalhos capitulares iniciaram em 27 de agosto com a celebração eucarística na grande e bela capela do Colégio, concelebrada pelos frades capitulares e presidida por Fr. Andrés Stanovnik, capuchinho, Arcebispo de Corrientes, na Argentina. Em sua Homilia, o Arcebispo recordou aos Capitulares que “o eixo central em torno do qual deve mover-se o coração dos frades” é, como escreve São Francisco na Regra não Bulada, tratar das coisas que dizem respeito a Deus’, isto é, as coisas que inspiram os irmãos a viver no mundo a vida evangélica em verdade, simplicidade e alegria’ (Const. 147,2)”. Fr. Andrés, concluindo a sua Homilia, recordou que a chave da renovação da nossa forma de vida hoje na Igreja e no mundo é a misericórdia: “Aquela misericórdia que experimentamos quando o Senhor nos deu, como deu a Francisco de Assis, no seu tempo, de iniciar uma vida de penitência e depois de ser conduzido entre os leprosos, de praticar a misericórdia com eles, não como uma obrigação, mas como uma dívida que nós jamais podemos pagar, dado que nós mesmos fomos resgatados pela infinita misericórdia do Pai”.

Primeiro e mais importante passo de cada Capítulo é o relatório do Ministro Geral cessante, que comunica acerca do estado e da atividade da Ordem no sexênio passado. Fr. Mauro Jöhri, Ministro Geral cessante, articulou o seu relatório em doze pontos e traçou um quadro da vida da Ordem, com referência ao VIII CPO, realizado em 2015, observando que “a busca da união com Deus é o primeiro trabalho dos frades”, e, para tanto, convidou todos a se interrogarem sobre o “primado da vida de oração”.

Fr. Mauro se deteve, em seguida, em falar das mudanças e dos desenvolvimentos da Ordem nos anos recentes, fornecendo dados estatísticos dos quais, além disso, ofereceu uma sua leitura. Ao fim de 2017, a Ordem contava 10.127 frades, com uma diminuição contida, em relação a seis anos atrás, de 237 frades (eram 10.364 em 2011). A diminuição dos frades tem diversas causas (falecimentos, desistências, passagens ao clero diocesano, demissões, etc.). Interessante é, por sua vez, o elevado número dos frades em formação, sobretudo na Ásia (+381) e na África (+138), onde a Ordem aposta o seu futuro. Estável é a situação dos países da Europa Oriental (+32). Uma diminuição, ao contrário, nas duas Américas e, sobretudo, na Europa Ocidental. Em síntese, no estado atual, os capuchinhos italianos ainda são o grupo mais numeroso, com 1.855 indivíduos, seguido pelo indiano, com 1.792.

A Ordem conta, pelo mundo, numerosos bispos. Quinze deles, provenientes de todas as partes do mundo, foram nomeados no último sexênio. Dezessete deixaram suas sedes por limite de idade. Doze faleceram.

Nos últimos seis anos, alguns confrades foram beatificados ou canonizados. Recordando: Bem-aventurado Tomás de Olera (2013), Bem-aventurados André de Palazuelo e 32 companheiros mártires (2013), Bem-aventurados Frederico de Berga e 36 companheiros mártires (2015), Bem-aventurado Arsênio de Trigolo (2017), Santo Ângelo de Acri (2017) e Bem-aventurado Francisco Solano Casey (2017).

O amplo relatório do Ministro tocou vários outros pontos, como: o governo e a animação da Ordem, a Cúria Geral, as Instituições Culturais, as Casas dependentes do Ministro Geral e, enfim, o caminho da Família Franciscana.

No terceiro dia do Capítulo, o Ecônomo Geral, Fr. Alejandro José Nuñes Ennabe, expôs o relatório econômico. Na abertura, recordou que a economia da Ordem deve ser caracterizada pela transparência e pela corresponsabilidade de todos os frades na gestão dos bens da Ordem. Com gráficos e tabelas, explicou com grande clareza a situação atual da economia da Ordem. Ao término, o caloroso aplauso dos Capitulares deu ênfase à precisão do relatório e a aprovação do trabalho do relator.

No mesmo dia, presidiu a liturgia eucarística Dom José Rodriguez Carballo, Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Na Homilia, tirando inspiração das duas leituras do Martírio de São João Batista, ele enfatizou o seguinte trinômio: verdade, profecia e esperança. A verdade, aquela que João sempre anunciou com a sua pregação, sem respeito humano e corajosamente, sobretudo na circunstância que determinou o seu martírio pelas mãos de Herodes. A profecia, aquela que o Precursor testemunhou, ainda antes do que com a palavra, com a vida e não com os discursos da ideologia. A esperança, que deve acompanhar sempre o anúncio do Evangelho de Jesus, que é um Evangelho de alegria, sem se deixar arrastar pelo pessimismo ou pelo realismo fatalista. Verdade, profecia e esperança, que devem também acompanhar os trabalhos do Capítulo, deixando-se guiar docilmente e confiadamente pelo Espírito.

Dois dias depois, veio trazer sua saudação e presidir a Eucaristia o Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o Cardeal João Braz de Aviz, 71 anos, brasileiro. “A Vida Consagrada na Igreja – exortou o Prelado – tem um lugar muito importante. Deus tem permitido ao Espírito falar à Igreja também através da multiplicidade dos carismas. E jamais terminará este caminho na vida da Igreja. O carisma não provém dos homens, mas de Deus. Deus sabe por quanto tempo deve permanecer na sua Igreja. O carisma franciscano, ao invés de diminuir, cresce e se multiplica em outros carismas. Este é um grande dom para a Igreja”.

Após a eleição do novo Ministro (3 de setembro) e do seu Conselho (6 de setembro), aconteceu a peregrinação a Assis, onde, diante da tumba do Seráfico Pai, o Capítulo rezou e agradeceu, para que a sua luz continue a iluminar e guiar a Ordem.

Em 14 de setembro, os Capitulares se dirigiram ao Papa Francisco. O Ministro Geral cessante, Fr. Mauro Jöhri, apresentou ao Papa o seu sucessor, Fr. Roberto Genuin, que dirigiu ao Santo Padre uma breve saudação, à qual o Papa Francisco respondeu falando espontaneamente. Recordou que os Frades Capuchinhos sempre foram os frades do povo, próximos dele mesmo em meio às fadigas diárias, do qual devem sempre se aproximar com simplicidade; devem estar próximos dos pobres e dos sofredores como Frei Cristóvão de “Os Noivos”, como os Capuchinhos que ele encontrou recentemente em Dublin, na Irlanda; devem ser apóstolos do confessionário, da reconciliação; enfim, devem ser homens de oração, uma oração simples e alegre, e se fazerem construtores de paz em meio ao povo. Ao término, concedeu a sua bênção apostólica e saudou cada frade, um por um. As palavras do Papa constituem a mensagem e a entrega da Igreja aos participantes deste Capítulo.

O trabalho capitular chegou ao término na tarde de 15 de setembro, dia em que a liturgia celebrava a memória de Nossa Senhora das Dores: uma chegada antecipada, em relação ao calendário previsto (devia terminar em 16 de setembro), em razão da celeridade com a qual este capítulo trabalhou, graças sobretudo ao uso do tablet nas votações em plenário. A manhã deste último dia foi toda dedicada à votação dos textos preparados pelas comissões. Após as exposições por parte dos secretários dos grupos, que relataram sinteticamente o quanto tinha sido dito entre eles, procedeu-se à apresentação dos textos de algumas moções a serem submetidas ao voto da assembleia. As moções se relacionavam às modificações a serem feitas no Estatuto da Cúria Geral, à colaboração fraterna e à solidariedade entre as circunscrições. Todas aprovadas com ampla maioria.

Último ato do Capítulo, a concelebração eucarística, no fim da tarde, presidida pelo Ministro Geral, Fr. Roberto Genuin, ladeado por todos os membros do Conselho Geral. O rito foi celebrado em várias línguas, animado por cantos de diversas proveniências: português, francês, suaíli, indonésio, espanhol, etc. Na Homilia, o Ministro fez algumas reflexões a partir do título de uma memorável carta escrita por seu predecessor: “Reacendamos a chama do nosso carisma”, e invocou a intercessão da Virgem Maria sobre toda a Ordem. Após a Homilia, todos os frades Capitulares foram convidados a renovar a profissão, repetindo, cada um na própria língua, o compromisso em observar os votos de obediência, pobreza e castidade. Ao término da celebração, foi cantado o Te Deum de agradecimento ao Senhor pelo sustento da sua graça, recebido durante o desenvolvimento dos trabalhos capitulares. Ad maiorem Dei gloriam.

Tarcisio Mascia

Última modificação em Segunda, 24 Setembro 2018 05:02